TCC e Pensamentos automáticos

11/08/2010 20:16

 

Premissas básicas sobre pensamentos automáticos:

1) Todo estímulo interno (lembrança, sensação coropórea, etc) ou externo (um acontecimento, ver uma pessoa, etc) desencadeia uma resposta emocional.

2) O elo entre um estímulo e a resposta emocional é feito pelo pensamento automático. 

A seguir será apresentado sucintamente qual o papel dos pensamentos automáticos (vários materiais bibliográficos estão disponíveis para os que desejam se aprofundar no assunto):

1) Todo estímulo interno (lembrança, sensação coropórea, etc) ou externo (um acontecimento, ver uma pessoa, etc) desencadeia uma resposta emocional. O elo entre estes dois eventos costuma não ser familiar para todos. As pessoas em geral limitam-se a perceber suas emoções, sentimentos, reações, sem muita importância dar aos estímulos que os provocaram. Temos aqui o primeiro passo para o domínio da técnica: atentar para as relações entre as emoções e os estímulos que as desencadearam.

Niguém repentinamente sente-se triste ou feliz, amado ou rejeitado, assustado ou encorajado, sem motivo algum. Não são `obras do ocaso`. Sempre que for tomado por algum sentimento mais intenso, reflita um pouco e faça uma pequena retrospectiva a fim de identificar qual foi o estímulo desencadeador daquela emoção. Você ficará muito surpreso sempre que fizer este exercício, pois verá que nenhum sentimento ou emoção ocorrem por acaso: sempre houve um estímulo, um desencadeador.

Por exemplo, andando pela rua, repentinamente você sente-se alegre. Ao fazer o exercício poderá perceber que recentemente passou por você alguém que lhe lembrou um amigo muito querido da infância e isto lhe causou uma sensação de alegria, saudosismo e bem estar. Ou então, descansando numa cadeira, poderá sentir-se muito angustiado. Ao rever o que funcionou como estímulo, poderá perceber por exemplo que lembrou-se de algumas dívidas que precisa saldar.

 Esta relação de estímulo e resposta emocional acontece a todo momento, mesmo que não nos demos conta. É um princípio básico e bastante simples no desencadeamento das nossas emoções.

Entretanto, como você deve ter percebido, para se identificar a ligação entre um estímulo e uma resposta emocional, o caminho é inverso ao que ocorre naturalmente. Ou seja, a sequência natural é do estímulo para a emoção. Porém, para a identificação dessa relação, parte-se da emoção e então volta-se para os instantes imediatamente anteriores a esta emoção e tenta-se verificar qual foi o estímulo que a desencadeou.

2) O elo entre um estímulo e a resposta emocional é o pensamento automático.

Você pode repentinamente sentir uma forte tristeza e, num primeiro momento, não entender de onde surgiu. No entanto, se você parar e analisar o que poderia ter sido o estímulo de tal emoção, pode perceber que se seguiu ao momento em que um estímulo desagradável ocorreu. Por exemplo, pode ter avistado um caderno de aula. Caderno de aula e angústia???

Entre um estímulo e uma emoção, existem sempre pensamentos. Estes são ainda menos percebidos que os estímulos. Além disso prestam-se muito a serem confundidos com as emoções. As pessoas tem em geral muita dificuldade para diferenciar pensamentos de emoções. Por exemplo, é comum ouvirmos: `eu senti que não iria conseguir`. Na verdade você não sentiu, você pensou que não iria conseguir.

Diferenciar pensamentos de sentimentos é muito importante para a compreensão da presente técnica. Em geral essa dificuldade reside principalmente porque nossos pensamentos são geralmente automáticos, independentes de nossa vontade. Ou seja, são pensamentos que ocorrem de forma involuntária.

Pensamentos automáticos ocorrem espontaneamente e são involuntários. São tão comuns em nossa estrutura mental que ocorrem como se `tivessem vida própria`. Mas quando eles ocorrem? Podem ocorrer a qualquer momento, porém quase que invariavelmente logo após um estímulo desencadeador interno ou externo e imediatamente antes de uma reação emocional.

Aqui fecha-se o ciclo:

estímulo → pensamento automático → reação emocional                                                                          

Agora podemos entender porque ver um caderno (estímulo) causa angústia (emoção). Ocorre que entre ver o caderno e sentir-se angustiado, pensamentos automáticos do tipo ´vou ter prova amanhã e não vou me dar bem, como sempre`, ou ´não estudei como deveria ter estudado`, entre outros, ocorreram. Ou seja, a reação emocional segue a um estímulo porque houveram pensamentos automáticos fazendo o elo entre ambos. Na verdade, é o pensamento automático o responsável pela reação emocional. Agora dificultou? Até pode ser, mas logo desatamos o nó.

O problema para o entendimento deste simples esquema estímulo → pensamento automático → reação emocional (emoção, sentimento) deriva do fato de que, se costumamos ser insensíveis às situações desencadeadoras de emoções, somos ainda muito mais insensíveis aos pensamentos automáticos que nos ocorrem dezenas, centenas, milhares de vezes durante um dia. Saber da ocorrência deste tipo de pensamento e saber identificá-los é muito pouco costumeiro em nossa sociedade. Especialmente nesse momento de uma sociedade extremamente dinâmica e pautada pela rapidez de informações.

Nossos íntimos pensamentos automáticos são praticamente desconsiderados. Isto ocorre porque não temos o hábito de refletir sobre nós mesmos, por simples desatenção ou simplesmente por desconhecimento de sua importância.

Entretanto, para modificarmos nosso modo de ser, agir e sentir, necessitamos impreterivelmente da identificação dos nossos pensamentos automáticos. E isto é fundamental por dois motivos:

. para conhecermos a sequência de eventos que produzem reações emocionais

. porque pensamentos automáticos são a ponta do iceberg das crenças, atitudes e suposições mais profundas da nossa psique.

          Esse esquema, testado e retestado incontáveis vezes desde sua proposição, demonstra claramente a sequência de eventos que culminam nas reações emocionais. Estas se configuram em sintomas psicoemocionais quando inapropriadas, desagradáveis ou deturpadas continuamente, causando sofrimento e prejuízos na nossa funcionalidade.

É interessante enfatizar que os pensamentos automáticos podem ser bastante adpatativos, quando não são exagerados e são coerentes com a realidade, ou seja, não são distorcidos. Por outro lado, são classificados como disfuncionais quando são desadaptativos, exagerados, deturpados, incoerentes com a realidade externa; estes pensamentos disfuncionais são os que desencadeiam respostas emocionais desagradáveis e inadequadas, produzindo os "sintomas psicoemocionais", que, em alguns casos, podem culminar em transtornos psíquicos (para saber mais quando tais sintomas indicam um transtorno mental, veja Diagnóstico em psiquiatria).

Concluindo, os pensamentos automáticos são o elemento central no elo estímulo-reação emocional, e por isso são fundamentais para a compreensão das nossas emoções; além disso, representam o elemento mais superficial e acessível que deriva de porções mais profundas de nossa psique, sendo assim necessário identificá-los e conhecê-los para acessarmos o nosso íntimo psíquico.

 

 

Disponível em: http://www.psiquiatradeportoalegre.com.br/cognitivocomportamental11.html

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